Não há lógica densa que me convença de haver pecado por te desejar
Tampouco tribunais, ou guilhotinas da moral:
És íntimo que não me pesa.
Aquilo de que me privo na distância mas a que me autorizo na proximidade
Talvez jamais conheças
(mas talvez suspeite).
Deixo-o correr solto no anonimato, não me perdôo nunca, pois nunca hei de perdoar o que é meu.
Conjugo a liberdade para ser e a necessidade de se reservar.
Há algo que em mim consentiu e não é cúmplice,
Que tu, eu e os demais não entendemos.
Oscila, raciocina, fraqueja,
É bípede e articulado, defende-se, argumenta, permite-se,
Imobilizou a culpa e a devorou de uma vez,
Com ossos estalando confirmação.
E isso não se julga, não se enxerga,
É e o é de forma insuperável, e nenhum de nós pode-quer-irá delatar.
Pois não há eu autônomo,
tu convicto,
eles em maioria,
maiorias corretas
que me convençam de haver pecado por te desejar.
(Entre janeiro e março de 2007)
terça-feira, 9 de agosto de 2011
sábado, 2 de julho de 2011
Notívago
Notívago
Devora a luz que ninguém vê
Contrarquiteto do mundo
Desgasta os vértices da manhã
Notívago
Tem celas em suas pálpebras
Crê não ser o único
Mas tanto faz.
Vendaval a destelhar o sono
Leva os cílios que dizem "não"
Vendaval a invadir os outros
Feito areia nos olhos
A salgar os sonhos
Brisa quente que afoga o peito
(porque a exclamação é ponte suspensa
que não deixa o desespero passar)!
Encontra a beleza e não espalha
Ou o crepúsculo te faz refém
Ou os demais virão
Por esquecer
Que o cansaço se faz menos das horas
Que dos outros
Notívago
O vértice em que se apoia
Talvez a noite
É solar e radiante
Solidão.
RF
23/08/2009
23h29
Devora a luz que ninguém vê
Contrarquiteto do mundo
Desgasta os vértices da manhã
Notívago
Tem celas em suas pálpebras
Crê não ser o único
Mas tanto faz.
Vendaval a destelhar o sono
Leva os cílios que dizem "não"
Vendaval a invadir os outros
Feito areia nos olhos
A salgar os sonhos
Brisa quente que afoga o peito
(porque a exclamação é ponte suspensa
que não deixa o desespero passar)!
Encontra a beleza e não espalha
Ou o crepúsculo te faz refém
Ou os demais virão
Por esquecer
Que o cansaço se faz menos das horas
Que dos outros
Notívago
O vértice em que se apoia
Talvez a noite
É solar e radiante
Solidão.
RF
23/08/2009
23h29
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Plenitude
Quando lhe falo do meu coração,
Falo de carne, coronárias, sangue e ventrículos,
Não lhe omito nada, e nada mereceria omissão.
Quando declaro essa essência juvenil,
Falo de suor, sêmen, saliva, pele e inconveniências.
Há de se ser feliz desmembrando as belezas nas entranhas,
Para se entender o amor
E que o amor também é feio e é palpável.
Falo de carne, coronárias, sangue e ventrículos,
Não lhe omito nada, e nada mereceria omissão.
Quando declaro essa essência juvenil,
Falo de suor, sêmen, saliva, pele e inconveniências.
Há de se ser feliz desmembrando as belezas nas entranhas,
Para se entender o amor
E que o amor também é feio e é palpável.
RF
2006
sábado, 19 de março de 2011
A Paz Comum
Dor de cabeça
Desconforto
Desassossego
Desapego
Medo
Não importa,os motivos são muitos e a vida, uma só.
Por isso, desencrava esta culpa que está tudo bem.
Não há mal nenhum em não fazer o que ninguém
Faz
Anos,
Meses,
Horas,
Faltam muitas,
Faltam obras,
Fazem falta,
Mas você tem a sua própria enxaqueca para criar.
E a luxúria,
E o sossego,
E a anemia de uma vida segura
Vaselinada por palavras perigosas,
Porque o atrito é ficto
E o gozo também.
Não há mal nenhum em ser só homem de bem.
Veste o corpo, capacete,
Leva a espada e o colete,
Faz de conta e depois desmarca,
Mais vale o festim que a rajada.
Pega o ônibus, se esconde na frente,
Que a vida não lhe raspa (mas passa rente).
Sua sorte é ela se confundir no meio de tanta gente
Igual
A ontem, lê seus versos, se envaidece,
Se masturba, reza e adormece
E não se esquece, nem por segundo,
De quão aconchegante é o travesseiro chamado "Todo Mundo".
06/11/08
0h41
Desconforto
Desassossego
Desapego
Medo
Não importa,os motivos são muitos e a vida, uma só.
Por isso, desencrava esta culpa que está tudo bem.
Não há mal nenhum em não fazer o que ninguém
Faz
Anos,
Meses,
Horas,
Faltam muitas,
Faltam obras,
Fazem falta,
Mas você tem a sua própria enxaqueca para criar.
E a luxúria,
E o sossego,
E a anemia de uma vida segura
Vaselinada por palavras perigosas,
Porque o atrito é ficto
E o gozo também.
Não há mal nenhum em ser só homem de bem.
Veste o corpo, capacete,
Leva a espada e o colete,
Faz de conta e depois desmarca,
Mais vale o festim que a rajada.
Pega o ônibus, se esconde na frente,
Que a vida não lhe raspa (mas passa rente).
Sua sorte é ela se confundir no meio de tanta gente
Igual
A ontem, lê seus versos, se envaidece,
Se masturba, reza e adormece
E não se esquece, nem por segundo,
De quão aconchegante é o travesseiro chamado "Todo Mundo".
06/11/08
0h41
sexta-feira, 4 de março de 2011
Um poema? Uma letra? "O descobrimento do Estranho"
Aportaram contra as praias
Atearam fogo às pedras
Entoaram uma tocaia
Silenciosos sob a relva
Assentaram suas fúrias
Saciaram seus percalços
Vomitaram sua gana
Exibiram seus mercados
Desnudaram-se nas minas
Afogaram seus pecados
Importaram suas Igrejas
Lambuzaram seus projéteis
Lecionaram sobre a selva
Desmataram uma mágoa
Desbravaram uma mata
E fundaram um país
Em mim.
(por volta de 19/12/2005)
Atearam fogo às pedras
Entoaram uma tocaia
Silenciosos sob a relva
Assentaram suas fúrias
Saciaram seus percalços
Vomitaram sua gana
Exibiram seus mercados
Desnudaram-se nas minas
Afogaram seus pecados
Importaram suas Igrejas
Lambuzaram seus projéteis
Lecionaram sobre a selva
Desmataram uma mágoa
Desbravaram uma mata
E fundaram um país
Em mim.
(por volta de 19/12/2005)
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Um poema: "Fantasias"
Acredite em mim: eu sou sujo.
As minhas entranhas por vezes urram o indizível,
Pedindo uma satisfação rasgada e abusiva.
Não há uma besta dentro de mim - eu sou o próprio animal insaciável.
Curioso, criativo, quase vulgar,
Um alvoroço de mandíbula e vísceras dependuradas do raciocínio.
Um par de rins esfomeados e autofágicos,
Mãos encrespadas pela cegueira do tato freado.
Sou mais do que se enxerga em fendas do que nas planícies,
Só que as roupas são demais apertadas e asfixiam em pequenas celas o íntimo flamejante.
Meus sonhos são as cheias dos corpos cavernosos,
Serpenteando espinha e cerebelo,
Fazendo abrir-se em espasmos este leque de vontades cortantes.
Mas a minha maior fantasia é te proteger.
RF
25/09/2006
Às 2h31 AM
As minhas entranhas por vezes urram o indizível,
Pedindo uma satisfação rasgada e abusiva.
Não há uma besta dentro de mim - eu sou o próprio animal insaciável.
Curioso, criativo, quase vulgar,
Um alvoroço de mandíbula e vísceras dependuradas do raciocínio.
Um par de rins esfomeados e autofágicos,
Mãos encrespadas pela cegueira do tato freado.
Sou mais do que se enxerga em fendas do que nas planícies,
Só que as roupas são demais apertadas e asfixiam em pequenas celas o íntimo flamejante.
Meus sonhos são as cheias dos corpos cavernosos,
Serpenteando espinha e cerebelo,
Fazendo abrir-se em espasmos este leque de vontades cortantes.
Mas a minha maior fantasia é te proteger.
RF
25/09/2006
Às 2h31 AM
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Uma letra de música: "Vontades Aladas"
Galera,
Esta é a letra que me inspirou a batizar o blog. Um dia será gravada, seja com minha querida Tijolo de Vera - http://www.myspace.com/tijolos , para os que não conhecem -, seja com algum outro projeto.
E a gravidade ferida me amassa os tendões
Sou garimpeiro da alma neste aluvião
São meus coadjuvantes amantes e arpões.
Minhas gavetas de vida têm tudo que há
Porém gavetas de morte só sabem falar
Me aproxima o rosto um beijo pendular
É o meu tempo chegando, o meu tempo a passar.
Se sobrevivem as palavras
Quando sobreviver asfixia,
Por que não mais acreditar em asas?
Faço casulos desta melodia.
Voo agridoce, acre e dócil
Põe a planar doçura agredida
Sobre as maiores distâncias internas
Que nesta alma não terão medida.
Fazer da vida vitrine me parece são
Mas este choro retido me afoga os pulmões
Fazendo mar clandestino ao toque das mãos
E navegando o reverso das intuições
Por cada noite acordado que atravessei
Ao outro lado da dor finalmente eu cheguei
Somei feridas e arestas, as minhas, de alguém,
Deixei de herança os meus frutos, e fome também.
Quando abertos nossos mares,
Falta-me fé ou te excede o zelo
Se ao consumar de cada travessia
Crês em milagres e eu em tornozelos?
Ninguém escapa desta sorte:
Tudo que não germina enlouquece
Faço ferida funda para despertar
E expelir recortes desta prece
Como se nada houvesse.
Esta é a letra que me inspirou a batizar o blog. Um dia será gravada, seja com minha querida Tijolo de Vera - http://www.myspace.com/tijolos , para os que não conhecem -, seja com algum outro projeto.
Vontades Aladas
Minhas vontades aladas desconhecem chãoE a gravidade ferida me amassa os tendões
Sou garimpeiro da alma neste aluvião
São meus coadjuvantes amantes e arpões.
Minhas gavetas de vida têm tudo que há
Porém gavetas de morte só sabem falar
Me aproxima o rosto um beijo pendular
É o meu tempo chegando, o meu tempo a passar.
Se sobrevivem as palavras
Quando sobreviver asfixia,
Por que não mais acreditar em asas?
Faço casulos desta melodia.
Voo agridoce, acre e dócil
Põe a planar doçura agredida
Sobre as maiores distâncias internas
Que nesta alma não terão medida.
Fazer da vida vitrine me parece são
Mas este choro retido me afoga os pulmões
Fazendo mar clandestino ao toque das mãos
E navegando o reverso das intuições
Por cada noite acordado que atravessei
Ao outro lado da dor finalmente eu cheguei
Somei feridas e arestas, as minhas, de alguém,
Deixei de herança os meus frutos, e fome também.
Quando abertos nossos mares,
Falta-me fé ou te excede o zelo
Se ao consumar de cada travessia
Crês em milagres e eu em tornozelos?
Ninguém escapa desta sorte:
Tudo que não germina enlouquece
Faço ferida funda para despertar
E expelir recortes desta prece
Como se nada houvesse.
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