Não diga a ninguém
E não tente explicar se alguém descobrir
Jamais diga que eu estava ali
Tente não fantasiar, acredite em mim
Não pergunte por quê
Se um dia eu faltar, pois certezas não há
Serão poucas pra mim, para você
Apenas diga aos seus pais que vai dormir,
Apague a luz do quarto após se despedir
E me encontre
Atrás das pálpebras.
Não me peça perdão
Se tiver de partir porque a noite se esconde
Sei que os muros da sua casa ficam longe
A quem se preocupar com a minha ausência,
Apenas responda que tudo que sabe é que eu encontrei meu lugar.
Apenas diga aos seus pais que vai dormir,
Apague a luz do quarto após se despedir
E me encontre
Atrás das pálpebras.
RF
26/12/2009
02h50 AM
terça-feira, 25 de outubro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Uma Letra: "Alice Nua"
Alice nua no olhar
Que a lente captura entre as mãos
Qual ave ingênua e vulgar
Cercada por minha intenção
No estalo do tempo nas paredes,
Doce crime que ainda não é meu;
No meu foco, celas enquadradas;
Nelas, Alice, e o seu fim sou eu.
Não é arma o desejo incontido
De um dia completar seus passos,
Mas a assimetria da alma
Escondida em nossos frágeis laços
E nas histórias que conto pra mim
Me traduzo em você.
Minha musa com prosa fecundei
Exalando fuga sob o sol
Das mil tardes secas que criei
A partir de um fôlego só
Sobre ela sou eu meu confidente,
Mas pra ela conto sobre mim.
Nunca sabe, por mais que lhe revele,
Que me traio mas me aproximo assim.
Se nas sílabas sinto o peso
Que treme o corpo e treme a fala,
Cultivarei meu jardim de vozes
Para em coro então chamá-la.
São só dela, portanto, as quinas
Da minha fé tão angulosa,
Erodida, condenada em si
E perfeita porque desgostosa.
E em meus recantos de infância, Alice,
Eu desnudo você.
Que a lente captura entre as mãos
Qual ave ingênua e vulgar
Cercada por minha intenção
No estalo do tempo nas paredes,
Doce crime que ainda não é meu;
No meu foco, celas enquadradas;
Nelas, Alice, e o seu fim sou eu.
Não é arma o desejo incontido
De um dia completar seus passos,
Mas a assimetria da alma
Escondida em nossos frágeis laços
E nas histórias que conto pra mim
Me traduzo em você.
Minha musa com prosa fecundei
Exalando fuga sob o sol
Das mil tardes secas que criei
A partir de um fôlego só
Sobre ela sou eu meu confidente,
Mas pra ela conto sobre mim.
Nunca sabe, por mais que lhe revele,
Que me traio mas me aproximo assim.
Se nas sílabas sinto o peso
Que treme o corpo e treme a fala,
Cultivarei meu jardim de vozes
Para em coro então chamá-la.
São só dela, portanto, as quinas
Da minha fé tão angulosa,
Erodida, condenada em si
E perfeita porque desgostosa.
E em meus recantos de infância, Alice,
Eu desnudo você.
Rodrigo Fróes
circa 12/06/2007
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Poema-coágulo
Tudo o que guardo de você
Se encerra neste punho
Tendo percorrido o braço esquerdo
Para lhe desaguar os versos
De uma veia que estoura
Como quem chega
À última parada
Da fé.
28/05/2009
14h12
Se encerra neste punho
Tendo percorrido o braço esquerdo
Para lhe desaguar os versos
De uma veia que estoura
Como quem chega
À última parada
Da fé.
28/05/2009
14h12
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Uma Parceria: "Confete" (Bernardo Canto & Rodrigo Fróes)
Joga o peso do mundo de um ombro pro outro,
Os tornozelos frágeis abrem o caminho,
O desapego faz o seu figurino
E a sua dança eu quis fotografar.
Gestos breves e expressões tão obtusas,
Sem ter frase, zomba e ri das minhas Musas,
Mas é lisonjeiro o desespero
Que há tempos guardei para você.
Nunca me queira tentar ao me encarar como quem vê um igual.
Neste baile de vaidade travestido em Carnaval,
Jogo confete na sua verve.
Depois reclamo, tirano, da sujeira que terei que limpar.
Sua nudez agride o meu pé descalço,
O desnível faz do palco um cadafalso
De ponta-cabeça quando os aplausos
Rebentam sem saber para quem.
Esta face doce desta minha posse
Ao lhe ver dançando quase se retorce,
Feito um exagero, um medo antigo
De ser eu, ser só meu e mais ninguém.
Nunca me queira tentar ao me encarar como quem vê um igual.
Neste baile de vaidade travestido em Carnaval,
Jogo confete na sua verve.
Depois reclamo, tirano, da sujeira que terei que limpar.
02/01/2010, 01h13 AM
Os tornozelos frágeis abrem o caminho,
O desapego faz o seu figurino
E a sua dança eu quis fotografar.
Gestos breves e expressões tão obtusas,
Sem ter frase, zomba e ri das minhas Musas,
Mas é lisonjeiro o desespero
Que há tempos guardei para você.
Nunca me queira tentar ao me encarar como quem vê um igual.
Neste baile de vaidade travestido em Carnaval,
Jogo confete na sua verve.
Depois reclamo, tirano, da sujeira que terei que limpar.
Sua nudez agride o meu pé descalço,
O desnível faz do palco um cadafalso
De ponta-cabeça quando os aplausos
Rebentam sem saber para quem.
Esta face doce desta minha posse
Ao lhe ver dançando quase se retorce,
Feito um exagero, um medo antigo
De ser eu, ser só meu e mais ninguém.
Nunca me queira tentar ao me encarar como quem vê um igual.
Neste baile de vaidade travestido em Carnaval,
Jogo confete na sua verve.
Depois reclamo, tirano, da sujeira que terei que limpar.
02/01/2010, 01h13 AM
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Poema: Voz
Não há lógica densa que me convença de haver pecado por te desejar
Tampouco tribunais, ou guilhotinas da moral:
És íntimo que não me pesa.
Aquilo de que me privo na distância mas a que me autorizo na proximidade
Talvez jamais conheças
(mas talvez suspeite).
Deixo-o correr solto no anonimato, não me perdôo nunca, pois nunca hei de perdoar o que é meu.
Conjugo a liberdade para ser e a necessidade de se reservar.
Há algo que em mim consentiu e não é cúmplice,
Que tu, eu e os demais não entendemos.
Oscila, raciocina, fraqueja,
É bípede e articulado, defende-se, argumenta, permite-se,
Imobilizou a culpa e a devorou de uma vez,
Com ossos estalando confirmação.
E isso não se julga, não se enxerga,
É e o é de forma insuperável, e nenhum de nós pode-quer-irá delatar.
Pois não há eu autônomo,
tu convicto,
eles em maioria,
maiorias corretas
que me convençam de haver pecado por te desejar.
(Entre janeiro e março de 2007)
Tampouco tribunais, ou guilhotinas da moral:
És íntimo que não me pesa.
Aquilo de que me privo na distância mas a que me autorizo na proximidade
Talvez jamais conheças
(mas talvez suspeite).
Deixo-o correr solto no anonimato, não me perdôo nunca, pois nunca hei de perdoar o que é meu.
Conjugo a liberdade para ser e a necessidade de se reservar.
Há algo que em mim consentiu e não é cúmplice,
Que tu, eu e os demais não entendemos.
Oscila, raciocina, fraqueja,
É bípede e articulado, defende-se, argumenta, permite-se,
Imobilizou a culpa e a devorou de uma vez,
Com ossos estalando confirmação.
E isso não se julga, não se enxerga,
É e o é de forma insuperável, e nenhum de nós pode-quer-irá delatar.
Pois não há eu autônomo,
tu convicto,
eles em maioria,
maiorias corretas
que me convençam de haver pecado por te desejar.
(Entre janeiro e março de 2007)
sábado, 2 de julho de 2011
Notívago
Notívago
Devora a luz que ninguém vê
Contrarquiteto do mundo
Desgasta os vértices da manhã
Notívago
Tem celas em suas pálpebras
Crê não ser o único
Mas tanto faz.
Vendaval a destelhar o sono
Leva os cílios que dizem "não"
Vendaval a invadir os outros
Feito areia nos olhos
A salgar os sonhos
Brisa quente que afoga o peito
(porque a exclamação é ponte suspensa
que não deixa o desespero passar)!
Encontra a beleza e não espalha
Ou o crepúsculo te faz refém
Ou os demais virão
Por esquecer
Que o cansaço se faz menos das horas
Que dos outros
Notívago
O vértice em que se apoia
Talvez a noite
É solar e radiante
Solidão.
RF
23/08/2009
23h29
Devora a luz que ninguém vê
Contrarquiteto do mundo
Desgasta os vértices da manhã
Notívago
Tem celas em suas pálpebras
Crê não ser o único
Mas tanto faz.
Vendaval a destelhar o sono
Leva os cílios que dizem "não"
Vendaval a invadir os outros
Feito areia nos olhos
A salgar os sonhos
Brisa quente que afoga o peito
(porque a exclamação é ponte suspensa
que não deixa o desespero passar)!
Encontra a beleza e não espalha
Ou o crepúsculo te faz refém
Ou os demais virão
Por esquecer
Que o cansaço se faz menos das horas
Que dos outros
Notívago
O vértice em que se apoia
Talvez a noite
É solar e radiante
Solidão.
RF
23/08/2009
23h29
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Plenitude
Quando lhe falo do meu coração,
Falo de carne, coronárias, sangue e ventrículos,
Não lhe omito nada, e nada mereceria omissão.
Quando declaro essa essência juvenil,
Falo de suor, sêmen, saliva, pele e inconveniências.
Há de se ser feliz desmembrando as belezas nas entranhas,
Para se entender o amor
E que o amor também é feio e é palpável.
Falo de carne, coronárias, sangue e ventrículos,
Não lhe omito nada, e nada mereceria omissão.
Quando declaro essa essência juvenil,
Falo de suor, sêmen, saliva, pele e inconveniências.
Há de se ser feliz desmembrando as belezas nas entranhas,
Para se entender o amor
E que o amor também é feio e é palpável.
RF
2006
Assinar:
Postagens (Atom)